29/11/2017 18:41:28 | Atualizado em 29/11/2017 19:09:31

Dourados poderá ter uma unidade do HC de Barretos

Sociedade douradense está se mobilizando para trazer unidade do Hospital de Barretos, que é referência no mundo todo em atendimento de qualidade e gratuito

Henrique Prata sensibilizou a todos ao contar sua história de vida e os princípios do Hospital de Câncer de Barretos.Por José Roberto de Almeida

 

O Hospital de Câncer de Barretos, SP, chamado hoje de "Hospital de Amor", é reconhecido no mundo todo pelo atendimento humanizado, resolutivo e gratuito que presta aos pacientes. Está alinhado com o maior centro internacional de pesquisas, o MD Anderson, dos EUA, e usa os protocolos médicos dos países mais avançados no controle do câncer. Há cinco décadas, tem sido a única esperança de pacientes ricos e pobres de todos os cantos do Brasil.

Devido ao grande afluxo de pessoas – cerca de 4 mil, por dia – que chegam de longe em busca de tratamento, o hospital adotou uma estratégia de descentralização do atendimento, implantando unidades de diagnóstico, prevenção e tratamento em outras cidades e estados, que são verdadeiras extensões do HC de Barretos. Atualmente, são 26 centros de diagnósticos e unidades hospitalares que atuam no diagnóstico precoce da doença, na prevenção e no tratamento com o paciente próximo de seus familiares.

Mato Grosso do Sul tem duas dessas unidades, uma em Campo Grande e outra em Nova Andradina, mas há tempos o HC de Barretos sugere o funcionamento de outra, em Dourados. Isso porque, os pacientes oriundos de Mato Grosso do Sul em Barretos são a maioria – 35 mil pessoas, por ano, em média – o que representa quase o dobro de Mina Gerais, e o triplo do estado terceiro colocado, que é Rondônia, onde o HC de Barretos inaugurou uma unidade de ponta, construído e mantido principalmente com recursos da iniciativa privada e doações feitas pela população daquele estado.

A informação foi repassada pelo diretor geral do Hospital de Amor, Henrique Duarte Prata, no encontro que teve sábado, 25, no Sindicato Rural de Dourados, com lideranças de vários segmentos da sociedade. A presença do grande número de produtores rurais, empresários, representantes de entidades e de personalidades políticas importantes de Dourados e região surpreendeu o convidado. “Fico extremamente feliz em saber que a sociedade está organizada, preocupada com o câncer”, disse Duarte Prata.

O evento foi organizado pela Coordenação Estadual do Hospital do Câncer de Barretos no Mato Grosso do Sul, através do seu diretor estadual, Ademar Capuci, com o apoio do Sindicato Rural de DouradosMesa de honra do evento representa o apoio do governo, nas três esferas do legislativo e do executivo, do setor produtivo e de várias entidades de Dourados. e da Associação Comercial e Empresarial de Dourados, da Prefeitura e da Câmara Municipal. Na ocasião, foi criada a Comissão Provisória Pró Implantação de uma unidade do HC de Barretos em Dourados, que tem a missão de sensibilizar o maior número de pessoas possível para esta causa, fazer gestão junto ao governo e levantar recursos por meio de promoções e doações para viabilizar o projeto. Se não um hospital completo, ele pode começar com um centro de diagnósticos especializados, como sugeriu o visitante.

Henrique Prata conclamou especialmente o pecuaristas, agricultores e empresários a ajudar, comparando com o que aconteceu em Rondônia, por exemplo. Para ele, o que possibilita a expansão do trabalho do Hospital de Barretos é a determinação da população em querer. “O estado lá tem 1,5 milhão de habitantes, 350 a 400 mil pessoas moram na roça, todas dão a melhor cabeça de gado que têm, por ano [para leilão], numa expressão de retribuir o Hospital que custa 35 milhões por ano, faz um tratamento de primeiro mundo, de graça, mas o governo só paga 15”, declarou.

NÃO É SIMPLES

Prata, que antes foi recepcionado na Prefeitura, pela prefeita Délia Razuk, pelo senador Valdemir Moka, pelos deputados estaduais Renato Câmara e Zé Teixeira, vários secretários municipais e quase todos os vereadores de Dourados, disse compreender o “anseio e a ansiedade” de todos, mas que é preciso entender toda a complexidade do HC de Barretos. Isto é, exige estrutura, aparelhamento e pessoal altamente especializados e de alto custo e, também, um enorme coração.

“Vocês têm que entender uma regra do jogo: a gente não faz medicina para ganhar dinheiro... ninguém sabe o que é uma pessoa pegar um ônibus para ir tratar de câncer a mais de mil quilômetros, o chacoalho do ônibus dói nos ossos e na alma, porque o remédio não tira a dor, ninguém sabe o que é isso, [então] não é uma comunhão com o governador, não é a comunhão com presidente, com ministro ou com secretário, é uma comunhão Senhor Eduardo Teshima dá testemunho emocionado sobre o tratamento e cura da sua filha, ao lado da coordenadora da Comissão Provisória de Implantação do hospital em Dourados, Cristiane Iguma Câmara.com Deus”, disse Henrique Prata.

Sensibilizando cada vez mais os ouvintes em sua fala, o visitante disse que não abre mão de uma estrutura onde todos, do médico ao porteiro, atendam aos pacientes de forma humanizada. "Por que o Hospital de Barretos nos encanta? Pela honestidade de fazer o que é certo, sem nenhum viés de lucro; a cultura de humanismo, um conceito de valores, tem que estar agregada ao ambiente e à forma de tratar as pessoas”, disse Prata.

Ele assegurou que dará todo apoio à Comissão encarregada de fortalecer a ideia do Hospital de Amor em Dourados, porque os benefícios humanos e financeiros mais do que justificam isso, uma vez que a notícia de um câncer desmorona uma família, sem falar nos custos financeiros para o estado, inclusive.

Tratado no início, as chances de cura chegam a 95%, o tratamento leva seis meses, em média, e custa de R$ 10 mil para o hospital. Em fase adiantada, a despesa passa dos R$ 160 mil e o tratamento se estende para dois anos e meio, em média, com menores chances de sucesso.

DOURADOS

Para Ademar Capuci, essa é uma justificativa é mais Henrique Duarte, Ademar Capuci - coordenador estadual em MS do HC de Barretos - na reunião com a prefeita Délia Razuk, o senador Valdemir Moka, o deputado estadual Renato Câmara com os vereadores e secretários municipaisdo que plausível. "Nas 18 regiões onde temos um trabalho feito, estamos fechando agora o quinto ano sem um câncer agressivo", conta. O coordenador do Hospital de Amor de Barretos em MS explica que o HC de Barretos, através de suas unidades, faz um trabalho de prevenção e diagnóstico avançado e gratuito capaz de praticamente eliminar não a incidência, mas a evolução dos cânceres mais prevalentes nas mulheres e que representam 40% de todo os atendimentos feitos em Barretos, que são o câncer de mama e o de colo de útero.

“A Holanda é o país que tem mais câncer no mundo, porém, é o país onde morrem menos pessoas de câncer por causa da prevenção, e além de nós termos a Holanda como referência, hoje, o melhor centro de radiologia do mundo é o de Barretos”, argumentou Capuci.

Ele disse ainda que m 2016, 33.186 pacientes de Mato Grosso do Sul se trataram em Barretos e que é urgente a instalação de um hospital de câncer em Dourados, conforme as diretrizes do Hospital de Amor. “Nós temos urgentemente que construir um hospital aqui [e] ao invés de encaminhar 35 mil pessoas, previsão deste ano, vamos encaminhar 50 ou 60, o restante vai ser tratado aqui, perto de sua residência, perto de sua família, isso que é humanização e fazer o que é certo e correto para as pessoas", disse o empresário.

A próxima ação da Comissão Provisória Pró-Hospital do Amor em Dourados para sensibilizar a comunidade será a repetição da Caminhada "Passos que Salvam", que acontecerá no dia 9 de dezembro, em parceria com o Grupo Run4Fun de corrida de rua.

Segundo o Centro de Pesquisa e Tratamento de Câncer “MD Anderson”, em 2050, de cada duas pessoas, uma precisará se tratar de câncer.

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