30/11/2017 13:51:02 | Atualizado em 30/11/2017 14:46:00

Menos conhecidas, retinopatia e visão subnormal afetam grande parte da população

Oftalmologista do HU-UFGD explica que doenças como a retinopatia diabética afetam grande parte da população sem as pessoas saberem e podem levar à cegueira

Ganhador do Prêmio “Vitor Siaulys”, ´pelo melhor trabalho científico do “VII Congresso da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal”, o Dr. Diego Fleury é mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, membro das Sociedades Brasileiras de Visão Subnormal e de Retina e Vítreo.Assessoria HU-UFGD

A comunidade médica faz um alerta mundial para a saúde ocular, cuidado que ainda é colocado em segundo plano por grande parte da população, principalmente no Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que entre 60 e 80% dos casos de cegueira em todo o planeta são evitáveis ou tratáveis se o paciente receber atendimento correto em tempo adequado.

No Brasil, a realidade é alarmante: cerca de 700 mil brasileiros que, atualmente são cegos, poderiam estar enxergando se tivessem recebido tratamento a tempo. Além disso, mais de 100 mil crianças têm algum tipo de deficiência visual, em muitos casos, sem que os pais se conscientizem.

Conjuntamente a doenças popularmente difundidas como miopia, astigmatismo e catarata, outras condições, cujas denominações são menos conhecidas entre a população, estão rotineiramente presentes na realidade de milhões de pacientes. A retinopatia diabética e a visão subnormal são duas delas.

Oftalmologista no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), o médico Diego Fleury de Lemos Pereira, fala sobre como essas duas condições, a retinopatia diabética e a visão subnormal, podem afetar pessoas de todas as idades.

Ele alerta que o acompanhamento feito por especialista na área de Oftalmologia é essencial para elevar a qualidade de vida de pessoas com problemas oculares, pois somente esse profissional poderá esclarecer de forma adequada o que está se passando com o paciente e indicar a melhor opção de tratamento.

Retinopatia Diabética 
Causas

A extensão da retinopatia e da perda da visão está relacionada à qualidade do controle da concentração sérica de açúcar e ao tempo que o indivíduo apresenta o diabetes. Geralmente, a retinopatia ocorre 10 anos após o início da doença.
Sintomas
O principal sintoma é a baixa de visão, sendo umas das principais causas de cegueira.
Consequências
Quando não tratada pode causar cegueira.
Prevenção
O controle nos níveis glicêmicos pode retardar o desenvolvimento da doença. O diabético tipo I deve fazer um exame oftalmológico nos primeiros cinco anos da data do diagnóstico. O diabético tipo II deve fazer este exame na época do diagnóstico.
Tratamento
Os indivíduos com diabetes devem submeter-se a exames oftalmológicos para que o tratamento necessário seja iniciado precocemente e a visão possa ser salva. O tratamento consiste na fotocoagulação com laser, na qual um raio laser é aplicado sobre o olho para destruir os novos vasos sanguíneos e para vedar os que apresentam escapes. Este tratamento é indolor, pois a retina não é sensível à dor. Quando o sangramento dos vasos lesados foi muito grande, a cirurgia pode ser necessária para remover o sangue que entrou no humor vítreo (um procedimento denominado vitrectomia). A visão melhora após a vitrectomia e o humor vítreo é gradualmente reposto.
Exames
O médico diagnostica esta doença através do exame da retina. A angiografia com fluoresceína (um procedimento no qual o médico injeta um corante em uma veia, espera ele atingir a retina e, a seguir, realiza fotografias da retina) ajuda a determinar a extensão do problema. No momento adequado pode ser necessária a fotocoagulação a laser e a vitrectomia.
Cirurgias
A cirurgia de vitrectomia pode ser indicada em situações de descolamento da retina, hemorragia vítrea e alguns casos de edema de mácula diabético.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE: Hospital CEMA

Saiba mais: www.visaosubnormal.org.br

Leia a entrevista feita realizada pela Unidade de Comunicação Social do HU-UFGD:

UCS/HU-UFGD – De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, a retinopatia diabética (RD) é a principal causa de cegueira em pessoas com idade entre 20 e 74 anos. Quais são as especificidades dessa enfermidade e como é feito seu diagnóstico?

Dr. Diego – A retinopatia diabética (RD) é uma doença muito comum e afeta pacientes de qualquer idade com a glicemia descontrolada. O diagnóstico é feito pelo exame oftalmológico de fundoscopia (ou mapeamento de retina). Quando diagnosticada no início, tem uma chance alta de recuperação, mas quando percebida em fases mais tardias, gera perda de visão importante. O ideal é um acompanhamento anual para todos os diabéticos e em um período menor para os pacientes que já apresentam RD mais avançada. Aproximadamente 12% dos novos casos de cegueira legal, isto é, a diminuição da visão a um nível que impeça o exercício de atividades laborais, são causados pela RD.

HCS/HU-UFGD – Em que momento os portadores de diabetes devem iniciar o acompanhamento oftalmológico para prevenir o surgimento ou o agravamento da RD?

Dr. Diego – Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, dão conta de que após 20 anos de doença mais de 90% dos diabéticos tipo 1 e 60% daqueles com o tipo 2 apresentarão algum grau de RD. Portanto, o médico que atende ao diabético deve encaminhar o paciente para o oftalmologista logo que fizer o diagnóstico. Muitas vezes, o paciente também apresenta outras patologias nos olhos que necessitam de tratamento e acompanhamento. O tempo de duração do diabetes e o controle glicêmico são, respectivamente, os dois fatores mais importantes relacionados ao desenvolvimento e à gravidade da RD. Assim, o controle glicêmico adequado torna-se fundamental para a prevenção e a diminuição nas complicações relacionadas à doença. A RD pode acometer qualquer tipo de paciente diabético, em qualquer idade, de qualquer sexo e até na gestação. Pode gerar desde uma baixa de visão momentânea, quando a glicemia estiver alta, até descolamento de retina e perda de visão severa.

UCS/HU-UFGD – Existe tratamento para a retinopatia diabética?

Dr. Diego – Existe tratamento. Nos casos mais leves, devemos controlar a glicemia. Nos casos mais graves, fotocoagulação à laser na retina, injeção intraocular de medicação e cirurgia de retina (vitrectomia). É importante o controle glicêmico rigoroso, o acompanhamento com nutricionista, a prática de atividades físicas regulares e, também, consultas periódicas com o cardiologista, para avaliar o coração, e com o nefrologista, para avaliar os rins.

UCS/HU-UFGD – Além da RD, problemas como a visão subnormal são pouco divulgados, como se manifesta esse tipo de condição e quais podem ser suas causas mais comuns?

Dr. Diego – De acordo com a Sociedade Brasileira de Visão Subnormal, esta condição é um comprometimento significativo da visão que não pode ser corrigido com uso de óculos convencionais, lentes de contato e nem mesmo com intervenção cirúrgica. Trata-se de uma perda parcial da visão, que pode ocorrer devido a doenças congênitas, lesões, envelhecimento ou como resultado do agravo de doenças oftalmológicas. Poucas pessoas são inteiramente cegas, ou seja, não possuem nenhum grau de visão. As que possuem algum grau de visão útil, insuficiente para a realização de atividades cotidianas, mas que pode ser potencializado com o uso de auxílios ópticos e não ópticos, têm a visão chamada de subnormal. Para esclarecer melhor, existem quatro níveis de resposta visual: 1) Visão normal; 2) Perda Moderada da Visão; 3) Perda Profunda da Visão e 4) Cegueira. Os indivíduos com perda moderada da visão em conjunto com aqueles que apresentam perda visual profunda são classificados com visão subnormal (ou baixa visão). Portanto, o termo “deficiência visual” engloba os termos visão subnormal e cegueira. As causas mais comuns da visão subnormal são: erros refrativos não corrigidos (miopia, hipermetropia e astigmatismo), em 43 % dos casos; catarata não-operada, em 33% das ocorrências, e glaucoma, em 2% das situações. Nos países desenvolvidos, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a principal causa de baixa visão. 

UCS/HU-UFGD – De que forma a prematuridade pode ser um fator que ocasiona a visão subnormalA quais sintomas pais e pediatras devem estar atentos nos primeiros meses de vida do bebê?

Dr. Diego – Todas as crianças nascem com os olhos ainda em formação. Esse sistema visual amadurece gradativamente. Nós nascemos sem saber andar, falar e enxergar. No caso do prematuro, os olhos merecem cuidados e acompanhamento especiais, pois seus olhos nascem mais malformados que os dos outros bebês. A retinopatia da prematuridade é uma doença que pode afetar alguns bebês prematuros gerando baixa visual. Seu diagnóstico é feito com a avaliação da retina do bebê. Existe o teste do olhinho ou teste do reflexo vermelho que pode ser feito por algum médico treinado, como o pediatra ou o neonatologista. É um exame de triagem inicial para definir quem necessita ser encaminhado ao oftalmologista. No caso dos bebês prematuros, todos devem ser examinados pelo especialista. Os pais devem ficar atentos ao tirar fotos dos olhos dos recém-nascidos com flash. Se observarem que o reflexo do olho está branco e não vermelho, devem levar o filho(a) ao oftalmologista. É importante lembrar que quanto antes for detectado o problema, mais fácil é o tratamento e mais rápida a solução.

UCS/HU-UFGD – Apesar de não poder ser corrigida com acessórios como lentes de contato e óculos e procedimentos cirúrgicos, a condição de pessoas com visão subnormal, pode ser amenizada com auxílios ópticos e não ópticos?

Dr. Diego – O médico oftalmologista especialista em visão subnormal deve seguir o protocolo de atendimento da baixa visão. Primeiro, fazer a refração, que é o teste dos óculos. Muitas vezes, um óculos atualizado melhora muito a visão. A catarata senil, que consiste no envelhecimento da lente do olho, pode ocasionar uma diminuição importante da função visual. Nestes casos, a cirurgia é necessária. Depois, testar os recursos para longe, como o telescópio monocular tipo Kepler. Para perto, existem as lupas de apoio, as lupas manuais, as eletrônicas, as lentes esferoprismáticas, entre outros dispositivos. Os recursos não ópticos também auxiliam na melhora da visão. Entre eles, há a prancha inclinada, o uso da iluminação direta no papel para leitura e o uso do tiposcópio. É importante dizer que, hoje em dia, mais e mais pacientes se beneficiam com os recursos e isso gera inclusão social e melhora da qualidade de vida. Além disso, existem softwares para computador e aplicativos para celular que auxiliam esses pacientes a executarem melhor as tarefas rotineiras. Alguns exemplos: Siri, Voice OverTalk BackBraille BackAudiobooksDragon DictationVision Assist. Procurar um bom profissional, portanto, é fundamental para melhorar a qualidade de vida da pessoa e explicar de forma adequada o que está ocorrendo.

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