29/11/2017 17:59:28 | Atualizado em 29/11/2017 18:23:58

Prevenção de câncer e outras doenças sob a ótica da imunização

Clínica de vacinação de Dourados realizou seminário inédito sobre importância da vacina na medicina preventiva

Dr. José Geraldo (dir), com os diretores da Immunitas, Antonio Carlos Praça, dra. Renata Longhi e Elizabeth Maronna PraçaPor José Roberto de Almeida

 

É alarmante saber que 54% dos brasileiros de 16 a 25 anos de idade estão infectados pelo HPV, segundo estudo do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, desenvolvido com apoio do Ministério da Saúde. E é decepcionante saber que sobram vacinas contra o HPV nos postos de saúde do país, que deveriam ser administradas em jovens de ambos os sexos, a partir dos 11 anos de idade.

A pior consequência da contaminação pelo papilomavirus humano (HPV) é o câncer, não só de colo de útero e de pênis, já que o sexo desprotegido é a forma prevalente de contaminação, mas também de vários outros, como o câncer de boca e de garganta. O dr. José Geraldo Leite Ribeiro, uma das autoridades médicas em imunizações do Brasil, entende que a comunidade médica deve fazer algo a respeito e incentivar o uso da arma mais eficiente contra o vírus.

“Estamos muito passivos diante disso, o câncer de boca causado pelo HPV tem crescido de forma muito impressionante, incide no adulto jovem, tanto homem como mulher, é um câncer que compromete a qualidade de vida do paciente, então, a gente discute muito isso, porque temos uma vacina que é eficaz, segura e que pode garantir um futuro melhor para os pacientes”, disse.

Falando para médicos e enfermeiros, durante o “I Simpósio de Atualização em Imunizações de Dourados”, que foi realizado pela Immunitas Vacinas, ele foi enfático. “A palavra do médico é definidora, não o que se vê nas redes sociais, não o que o vizinho disse, mas a palavra do médico, geralmente, quando médico prescreve uma vacina por segurança o paciente cumpre a prescrição”, falou.

Já em entrevista à Corpo & Mente, ele comparou o valor do remédio em relação à vacina. “Mesmo que um remédio te cure muito bem, você passou por um processo de doença, teve sofrimento, teve dor, teve gastos, já a vacina vai evitar a doença, vai evitar internação, então, ela tem um valor ainda maior”, disse o dr. José Geraldo.

Professor, pesquisador e membro de órgãos que coordenam o Programa Nacional de Imunizações, sua palestra mereceu muitos elogios de médicos, pela abordagem técnica aprofundada, comentários e análises de vacinações em várias faixas etárias, não só durante a infância, já que o calendário vacinal se estende para além dos 60 anos de idade, hoje em dia.

Por isso, ele explicou sobre as novas vacinas e quais são adequadas em cada idade. Para os adultos, por exemplo, o dr. José Geraldo falou sobre as condições ideais de imunização contra a gripe, herpes zoster e a pneumonia, por exemplo, além do importante alerta sobre o crescimento dos casos de câncer causados pelo HPV.

Objetivos do Simpósio

Evento deu aos médicos uma visão atualizada da importância dos imunobiológicos na medicina preventivaA imunização de crianças é uma prática reconhecida por todos como necessária para se evitarem graves enfermidades. Já a vacinação de adultos ainda é um desafio. Neste cenário, os médicos são os principais aliados da saúde pública no sentido de conscientizar jovens adultos, pessoas de meia idade e os idosos a adotarem essa medida preventiva. Isto é, além das recomendações de vida saudável, se preocuparem em atualizar suas vacinas, em cada fase de sua vida.

E isso é ainda mais importante se a pessoa tiver diabetes, cardiopatia, obesidade ou alguma doença imunodepressora, como ressalta o biomédico Antônio Carlos Praça. Ele considera que a Immunitas alcançou os objetivos ao realizar o “I Simpósio de Atualização em Imunizações de Dourados”, trazendo conhecimentos e as informações mais atualizadas sobre imunobiológicos e estratégias de imunização de crianças, jovens e adultos. “O evento serviu de incentivo para nós continuarmos esse trabalho de conscientização, principalmente, dos médicos”, disse o diretor a Immunitas.

Por sua vez, o médico pediatra Eduardo Marcondes se disse lisonjeado pelo convite. “Estou aqui defendendo a pediatria, mas acho que para a medicina em geral isso é de suma importância”, declarou. Já a médica oncologista Viviane Andreatta opinou sobre o papel do médico em esclarecer os pacientes sobre os benefícios da imunização na prevenção de doenças.

“Se nós temos a informação, nós temos que multiplicar isso, temos que conduzir as pessoas que ainda não são doentes a se prevenirem e o fato de uma doença ser evitável nos deixa a obrigação de convencer os pacientes a se vacinarem”, disse a oncologista.

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