30/11/2017 10:53:38 | Atualizado em 30/11/2017 14:57:30

Reprovação escolar - Postura dos pais é fundamental nessa hora.

Se a reprovação não pôde ser evitada é melhor ter calma: é hora de acolher seu filho(a) e não de culpá-lo.

Denise Caramori é psicopedagogaPor Denise Caramori de Souza, psicopedagoga clínica e institucional

É um momento doloroso para alunos e para os seus responsáveis na educação, um momento em que muita coisa é posta em causa: o acompanhamento, a educação, o ensino, o ambiente familiar, os professores, o futuro, etc.

Por trás de uma reprovação, o que está em questão não é a inteligência do seu filho(a), existem vários aspectos a serem considerados e a postura dos pais é fundamental para que o filho aceite, compreenda e consiga crescer com o que aconteceu.

Imaturidade, dificuldade na aprendizagem, situações emocionais difíceis pelo qual a família passa, nenhum destes fatores pode tirar de seu filho(a) a possibilidade de seguir seu caminho com vitórias, porém, talvez seja preciso esse momento de reflexão e mudanças de atitudes.

Temos dois tipos de alunos reprovados: aquele que não conseguiu atingir as notas necessárias, mas se esforçou, e aquele que não atingiu notas suficientes porque não se esforçou. Esse precisará aprender com a reprovação e perceber que ser um bom aluno não é um dom natural, necessita de esforço e dedicação diárias e uma rotina de estudo estabelecida em casa e levada à sério.

Engana-se quem pensa que a reprovação acontece de surpresa, um aluno demonstra que não está bem desde o início do ano, pais e professores devem estar atentos para ajudar o estudante ao longo do ano.

Os pais verificaram o empenho de seu filho(a)? Participaram das reuniões escolares? Analisaram juntos as notas? Sabiam o que estava acontecendo desde o primeiro bimestre? Ou o seu filho(a) caminhou sozinho? Se assim foi, ele já tinha autonomia e maturidade para fazer isso?

Muitas vezes o problema está na rotina familiar e não necessariamente no estudante. Falta de tempo. Falta de horários fixos para os deveres de casa e os estudos, muitas atividades extras, enfim, é hora de olhar a situação de frente e dialogar, usando a reprovação para crescer e aprender.

DIÁLOGO SEMPRE. Não para massacrar o filho(a) com o que deveria ter feito, mas sim com o que poderá e deverá tirar de proveito desta situação e olhando para frente, com metas e determinação.

Fácil? NÃO. Mas é preciso que ele aprenda a contornar as adversidades que se colocam diariamente a sua frente. Olhar a criança com amor e buscar palavras de incentivo para que ela não deixe de acreditar em si mesma.

Esse momento deve gerar crescimento, amadurecimento e reflexão sobre novas estratégias para o recomeço. Cabe à família e a escola acolher o estudante e ajudá-lo a encontrar caminhos.

Se a reprovação não pôde ser evitada é melhor ter calma: é hora de acolher seu filho(a) e não de culpá-lo. Analisar bem os motivos da reprovação. Desacelerar o ritmo da família. Organizar o tempo para acompanhar os estudos do seu filho(a), pois isso não é responsabilidade só da escola.

Respeitar o ritmo de aprendizagem de seu filho(a). Evitar a agressividade para que ele não se sinta incapaz e possa recomeçar. Trazer o assunto à realidade para que se torne mais fácil de entender a situação. Avaliar se há algum fator emocional ou cognitivo prejudicando o desempenho nas aulas e nas provas e se preciso procurar ajuda de um profissional.

O ideal é que exista um acompanhamento da família durante todo o ano letivo, para ajudar seu filho a construir seu conhecimento, estudando de forma efetiva e não somente as vésperas de uma prova. Pode ter certeza de que a criança sofre mais com a reprovação do que os pais, mas é possível sim aprender com isso.

Artigo originalmente publicado em O Progresso (30/11/2017) 

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